quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Afinal, Ano novo tem hífen?

Escrever um cartão desejando boas festas para o ano que se inicia com erros de português é, no mínimo, pagar mico à toa! Imagina seu chefe lendo sua mensagem. Ninguém merece né?

Todo mundo adora receber cartões de boas festas, quem não gosta? Mas em quase 90% dos casos encontramos  algums enganos sobre o uso do hífen na palavra "Ano-novo", ou "ano novo"? Vamos tirar essa dúvida agora!

Ano-novo, com hífen e iniciais maiúsculas, refere-se ao primeiro dia do ano, ou Primeiro do Ano. Quando desejamos um feliz Ano-novo é assim que devemos grafar o termo.

Ex.:
Desejo um feliz Ano-novo para você!
Feliz Ano-novo e boas festas!

Já "ano novo", sem hífen e minúsculas, significa todo o ano vindouro. Neste caso, é preferível a forma "novo ano" que é equivalente, justamente para evitar a confusão com o Ano-novo.

Agora você já pode escrever seu cartão sem medo de errar! Boas festas e um feliz Ano-novo!


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Quando devemos colocar vírgula antes do "e"?

Boa pergunta! Muitas pessoas aprendem que nunca devemos utilizar a vírgula [,] antes do "e", mas será verdade?

A conjunção "e" pode ser encontrada de diversas formas: com vírgula antes ou depois e, mais frequentemente, sem vírgula. Tudo depende do caso.

Primeiro vamos ver as situações em que a vírgula NÃO é usada com a conjunção "e".

1. Não se usa vírgula junto com a conjunção "e" quando ela coordena ou liga os elementos de uma enumeração, que pode ser formada por substantivos, pronomes, adjetivos, orações etc. O "e" justamente substitui a vírgula diante do último elemento da enumeração:

Exemplos:
Uma redação jornalística deve ser clara, objetiva, concisa e informativa.
O político não acredita que possa haver paz entre israelenses e palestinos.
Maria e Felipe estão casados há dez anos.
Esses produtos inovadores reduzem o colesterol, controlam a pressão arterial e tratam a depressão, entre outros efeitos.
Alexandre era uma aluno criativo e original, com seu estilo próprio e sua notável capacidade de interpretação e de crítica.

2. Agora, DEVE-SE usar a vírgula necessariamente antes ou depois da conjunção e na enumeração quando ali se coloca alguma intercalação. Neste caso, a vírgula não tem relação direta com o "e"; ela está lá para fechar ou abrir a intercalação.

Exemplos:
O Estado de São Paulo, através da Secretaria de Meio Ambiente, e a Fundesp firmaram convênio com vistas a formar pessoal.
João Silva, brasileiro, comerciante, residente na Rua X, e sua mulher, Nair Silva, brasileira, professora, requerem...
Só beberam água, que faz tanto bem à saúde, e, ao final da festa, um cafezinho.
Dividiu o bolo em fatias e, pela pressa das crianças, distribuiu-as rapidamente.

Dica!
Resumindo, é sempre bom usar o bom senso. Em vez de decorar se há vígula antes ou depois de alguma conjunção (e, mas, entretanto, porém, etc), examine o contexto em que a vírgula é usada. Por exemplo, as intercalações devem ser separadas por duas vírgulas, esteja ela antes ou depois do e, de modo a não se criar ambiguidade ou atropelamento da frase.

E, claro, nunca é demais lembrar que a VÍRGULA NUNCA DEVE SEPARAR SUJEITO E PREDICADO. Até a próxima! ;)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tensionar ou tencionar?


Tensionar e tencionar são verbos homófonos, isto é, possuem o mesmo som com grafias diferentes. Por isso, é muito fácil confundi-los! Vamos lá:

Segundo o Houaiss, TENSIONAR, com "s", significa produzir ou estar sob tensão ('ato de distender') , geralmente um músculo ou nervo.
Ex.: O excesso de esforço tensionou-lhe a musculatura da perna.
Seu pescoço tensionou depois do choque.

Já o verbo TENCIONAR pode ser transitivo direto, significando fazer tenção de ou ter como desígnio(algo); intentar, planejar, projetar
Ex.:  Eu tenciono viajar mês que vem.

Em termos jurídicos também pode significar o momento em que o juiz utiliza seu voto ou tenção em processo judicial.
Ex.:
O juiz negou-se a tencionar.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dia-a-dia ou dia a dia? Como fica a expressão no novo acordo



O brasileiro gosta de falar da sua rotina, do seu trabalho, do seu dia a dia (ou dia-a-dia?).  Se fosse antes do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, o certo seria grafar a expressão com hífen. Mas, pela nova regra, o hífen não é mais exigido nas palavras compostas que têm entre os termos um elemento de ligação (preposição, artigo ou pronome).

Ex.:

Gosto de trabalhar, mas o dia a dia daquela empresa me mata!

Assim como a expressão "dia a dia", muitas outras expressões já tradicionais na língua portuguesa perderam o hífen. Confira:

corpo a corpo (substantivo e advérbio), passo a passo (substantivo e advérbio), arco e flecha, general de divisão, lua de mel, pé de moleque, ponto e vírgula, não me toques (melindres), um disse me disse, um deus nos acuda, um(a) maria vai com as outras, um pega pra capar, carne de sol, dor de cotovelo, pau de sebo, (um) faz de conta, queda de braço, (forró/trio) pé de serra, fim de semana, bicho de sete cabeças, mão de obra, quarta de final e dia a dia (substantivo e advérbio).

Atenção às exceções! Sempre elas... =/

1) água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia (as economias de uma pessoa), ao deus-dará e à queima-roupa;
2) os nomes de espécies botânicas e zoológicas, como andorinha-do-mar, bem-te-vi, cana-de-açúcar, coco-da-baía, dente-de-leão, feijão-carioca, feijão-verde, joão-de-barro, limão-taiti e mamão-havaí;

3) os adjetivos pátrios derivados de topônimos compostos, como cruzeirense-do-sul, florentino-do-piauí e mato-grossense-do-sul.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Crítica, Conto ou Crônica? Saiba as diferenças entre os gêneros textuais

Gêneros textuais é assunto recorrente nas provas de Português em vestibulares e concursos públicos.

O primeiro passo é entender que classificam em gêneros tanto os textos produzidos nas situações mais comuns da comunicação (notícias, e-mails, cartas, manuais, crônicas, etc.), quanto os textos literários, aqueles que se utilizam dos recursos da literatura, em geral, com uma linguagem mais pessoal e carregada de emoções e valores.

A formação de um gênero textual é influenciada pela função a ser desempenhada, pelo público a que se propõe alcançar, pela mensagem a ser transmitida. Resumindo, o que define tudo é o contexto. Assim, cada gênero comporta variações características em sua coesão textual, na coerência entre seus elementos, na impessoalidade, e na utilização de recursos como a conotação e a denotação (vimos isso em outro post!).

Vejamos então as características de alguns dos gêneros textuais que mais caem em provas e concursos:

O TEXTO ARGUMENTATIVO
Podemos identificar o gênero argumentativo quando há expressão da opinião do autor sobre determinado assunto. Na apresentação das ideias, o autor pode se colocar de maneira direta e pessoal. Isso pode ser percebido com a utilização da 1ª pessoa e/ou de expressões introdutórias que exprimem opiniões pessoais, como “na minha opinião”, “penso que”, etc.. Mas fique atento, porque este gênero pode-se apresentar ainda de maneira impessoal, fazendo uso da 3ª pessoa e de expressões como “convém lembrar”, “é provável que”, etc.

Em geral, os textos argumentativos apresentam três partes essenciais: a introdução, em que é apresentada a ideia principal a ser trabalhada no texto; o desenvolvimento, em que o autor apresenta os argumentos que fundamentam o ponto de vista defendido e a conclusão, em que se confirma e retoma a ideia principal apresentada.

O TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO
Atenção para este, pois é o gênero textual mais cobrado nos vestibulares e concursos públicos. A avaliação geralmente paira não só sobre o vocabulário do autor e as ideias expostas, mas também em torno da sua capacidade de concatená-las (= estruturá-las) logicamente e da maneira como utiliza as palavras e seus sentidos.

No texto dissertativo, o autor discorre sobre determinado tema explicando cada parte. Geralmente, a dissertação está relacionada com a transmissão de conhecimento e não com a persuasão sobre um ponto de vista. De outro lado se encontram os textos argumentativos que, como vimos, visam primordialmente à defesa de uma opinião. O texto dissertativo-argumentativo é aquele que, além de trazer informações e explicações sobre determinado assunto, traz também o posicionamento do autor no sentido de persuadir o interlocutor.

Assim como os textos argumentativos, convencionalmente, dividem-se em três partes (introdução, desenvolvimento e conclusão). Há o predomínio da linguagem clara, objetiva e impessoal apresentada com o uso do padrão culto e formal.

O TEXTO PUBLICITÁRIO
É um tipo de texto argumentativo construído com a finalidade de persuadir e seduzir o interlocutor. Para tanto, utiliza-se, na maioria das vezes, a linguagem verbal combinada com a visual que apontam para as eventuais vantagens no consumo de determinado produto ou ideia. A linguagem utilizada pode variar de acordo com o público-alvo, mas é quase sempre direta, clara e enxuta, marcada pelo uso da função apelativa (direcionada ao interlocutor), trocadilhos, jogos de palavras, metonímias, metáforas e da ambiguidade.

A NOTÍCIA E A REPORTAGEM
A notícia é um gênero jornalístico que possui o objetivo de informar sobre um novo acontecimento despertando o interesse do leitor da mensagem. Não se limita a informar sobre o fato, mas também sobre a maneira como aconteceu e o porquê.

Em geral, divide-se em duas partes: o lead ( ou "lide"), que resume em poucas linhas as infromações essenciais sobre o fato (o quê, como, onde, com quem, por quê...), e o corpo, em que se faz o detalhamento do fato. A linguagem sempre é objetiva, clara e direta.

A reportagem, por sua vez, vai além da notícia, trazendo em seu corpo não só o detalhamento do fato, mas também a análise de fatos correlatos e o aprofundamento sobre os impactos do acontecido. Embora utilize-se, como na notícia, a linguagem impessoal, na reportagem quase sempre é possível perceber a opinião ou a interpretação do repórter sobre o assunto.

A CRÍTICA
A crítica, em geral, aparece em jornais e revistas e destina-se à análise qualitativa de um objeto cultural (livro, filme, peça, show, etc.), sobre o qual também é apesentado um conjunto de informações. Este gênero textual também pode ser chamado de resenha crítica e é essencialmente argumentativo. O vocabulário adotado varia conforme o público-alvo.

A CRÔNICA
Este é um gênero textual híbrido, que oscila entre elementos jornalísticos e literários. Surgida no Brasil há cerca de 150 anos com o desenvolvimento da imprensa, a crônica aparece entre as notícias jornalísticas inspirada no dia a dia, tanto pelos temas cotidianos, quanto pela linguagem livre e despojada. Opondo-se à objetividade e à impessoalidade do texto jornalístico, a crônica é marcada pela subjetividade do autor.

Apresenta-se em geral em um texto leve e curto, com espaço e tempo limitados e com poucos personagens. Pode-se usar a 1ª ou 3ª pessoa.

O POEMA
É uma forma de composição textual marcada pela utilização do verso, cada verso corresponde em geral a uma linha do poema e o agrupamento de versos é chamado de estrofe. O texto poético é construído com a utilização de recursos como a rima, a métrica e o ritmo, no sentido de sugerir formas, imagens e sons. Há na poesia o predomínio da função poética, que explora o sentido conotativo da linguagem, privilegiando, desta forma, uma multiplicidade de leituras e interpretações.

O ROMANCE
É um dos gêneros narrativos mais utilizados na produção literária, principalmente a partir do século XIX. Em geral, apresenta a narrativa de uma trama com diversos personagens desenvolvida em tempo e espaço amplos. Comumente associado ao Romantismo, por ser uma das principais formas de expressão do movimento, também apareceu com muita força em diversos outros movimentos literários, oferecendo, por exemplo, o espaço ideal para que se desenvolvessem as críticas e análises sociais típicas do Realismo e do Naturalismo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Bom dia ou bom-dia? Um tímido hífen faz toda a diferença

Nessas horas , vemos que um hífen pode fazer muita diferença.
Bom dia, boa noite e boa tarde, sem hífen, são afirmações de que um dia foi bom, de que uma noite e uma tarde estão boas.

Mas se colocarmos um tímido hífen, a coisa muda de figura. As saudações bom-dia, boa-tarde e boa-noite são substantivos compostos que precisam ser hifenizados. Independentemente do Novo Acordo.


O mesmo ocorre, por exemplo, com espinho amarelo e espinho-amarelo. O primeiro é qualquer espinho dessa cor, o segundo é uma planta específica.

Ex:
Bom dia senhor! Como está?
Hoje para mim foi um bom dia.

Ele deu um bom-dia sem graça e foi embora.
O cliente se retirou sem dizer aquele essencial bom-noite.

Dica!
Resumindo, o bom-dia com hífen é substantivo, portanto pode vir após um artigo. Mas fique ligado também no contexto!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Infligir ou Infringir? Você sabe a diferença?

Você já infligiu ou infringiu a lei? As palavras são semelhantes e podem pegar muitos estudantes, mas atenção: elas possuem significados diferentes.

Infringir é quando alguém transgride, viola, desrespeita uma lei. Já infligir é quando uma pena ou castigo é aplicado, quando alguém ou algo sofre algum tipo de dano ou prejuízo.

Entendeu? Se você ficar confuso lembre-se que infringir é quando alguém comete uma infração. Por exemplo: Ele cometeu uma infração de trânsito, ou seja, ele infringiu uma lei.

Outros exemplos:

Se alguém infringir a lei seca, será punido com detenção. (violar)
Eles estão presos porque infringiram alguma lei. (desrespeitaram)
O juiz infligiu uma pena muito severa aos desordeiros. (aplicou)
A seca infligiu a plantação, apenas uma agricultora se livrou. (causou dano)