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quinta-feira, 3 de abril de 2014

"Vale a pena" tem crase?


Este é um erro muito comum entre os estudantes. Como muitas locuções levam crase, eles tendem a colocar a crase onde não tem. Este é o caso de "vale a pena", que não tem crase. Vamos ver o porquê:
  • O verbo "valer" é transitivo direto e na expressão "vale a pena" quer dizer que alguma coisa vale o esforço, vale o castigo, vale um prêmio.

  • Sendo assim, o verbo não pede complemento com a preposição “a”. Por isso, não há crase em “vale a pena”:

Exemplos:

Dizer a verdade, por pior que seja, vale a pena.

Não vale a pena investir em universidades, se não temos uma boa educação básica.

Apesar de tudo, viver vale a pena.

terça-feira, 1 de abril de 2014

A crase em enumerações - Questão da Caixa



Poucas pessoas conhecem esta "regra", por que não se trata de uma regra para o uso da crase. Mas essa tema tem confundido muito os alunos, principalmente após uma questão da prova do concurso da Caixa Econômica Federal, que aqui reproduzo:

Seria mantida a correção gramatical do texto caso fosse empregado sinal indicativo de crase no "a" em "ligados a computação, informática, TI e análise de sistema."

Em casos como esse, em que há uma enumeração de dois ou mais elementos, a primeira coisa a se fazer é verificar se cada elemento da enumeração possui artigo definido (pois sabemos que a crase é a junção de preposição a + artigo definido feminino a como vimos neste post).

Analisando a questão, percebemos que computação, informática, TI e análise de sistema estão sendo usados em seu sentido genérico. É qualquer computação, não a computação pensada por Bill Gates, por exemplo. Portanto, percebemos que não há artigo, portanto não há crase! Resposta: ERRADO (Como bem sabemos, a banca do CESPE cobra certo ou errado nas alternativas.)

Outros exemplos:

As alternativas precisam ser cuidadosamente avaliadas quanto a qualidade e riscos. 
Em relação a saúde, dinheiro e felicidade, eu me garanto!
Ele precisa prestar contas à diretoria, ao gerente e à empresa.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A crase - 12 casos proibidos


Você já sabe quando usar a crase, certo? E quando não usá-la? Sabe? O excesso de crase em um texto é tão ruim quanto a falta dela. Este post é dedicado a todos os aqueles que precisam de uma dica rápida de última hora para não trocar as bolas na hora da prova. Boa sorte!

Nunca use crase nos seguintes casos:

1 - Antes de substantivos masculinos

* andar a pé
* dinheiro a rodo

Exceção: quando se subentende: à moda de, à maneira de, faculdade, universidade, empresa, companhia. Exemplos:

Concedeu privilégio à Ford.
Vestiu-se à Pierre Cardin.

2 - Antes de verbo

* Condições a combinar
* Aprender a ler

3 - Antes do artigo indefinido uma e dos pronomes que não admitem o artigo a (pronomes pessoais, indefinidos, demonstrativos, relativos)

* não me submeto a uma exigência dessas
* a mim, a ela, a si, a V.Exa
* a nenhuma parte
* a cada uma
* a qualquer hora
* a uma hora qualquer

* a ninguém
* a nada
* a certa hora
* a essa hora
* a quem respeito
* a cuja autoridade admiro

4 - Antes de numerais

* de 12 a 20
* de 1990 a 2008

Exceto para horários. Exemplo: O avião sairá às 14h.

5 - Entre substantivos idênticos

* cara a cara
* gota a gota
* de parte a parte

6 - Quando está sozinho antes de palavra no plural

* a obras
* a pessoas ilustres
* a conclusões favoráveis

7 - Antes de Nossa Senhora e nomes de santas

* Apelava a Nossa Senhora e a santa Clara

8 - Depois de preposições

* após as aulas
* ante a evidência
* conforme a ocasião
* contra a maré

* desde a véspera
* durante a palestra
* entre as palmeiras
* mediante a força

* para a paz
* perante a sociedade
* sob a jurisprudência
* sobre a questão do acordo
* segundo a lei

9 - Antes da palavra casa quando se refere ao próprio lar

* Voltara a casa pois esquecera o cartão.

10 - Antes da palavra terra quando se opõe a bordo

* Assim que desembarcaram, desceram a terra.

11 - Quando antes do feminino se subentende o artigo indefinido "uma"

* Encontrava-se presa a terrível melancolia. Subentende-se: Encontrava-se presa a [uma] terrível melancolia

12 - Antes de lugares que não admitem o artigo a

* Fui a Brasília, a Belém, a Recife, a Paris e a Roma

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O uso da crase em locuções


Você que não consegue entender a crase, já viu que o esquema clássico para que ocorra a Crase é a junção do artigo feminino (a) com a preposição (a).  Viu também as 10 dicas infalíveis para entender a crase. Para aprofundarmos o assunto, vamos relembrar as três regrinhas básicas.

A CRASE SE DÁ EM:

a) Contração da preposição a com o artigo feminino “a”.

b) Contração da preposição a com o pronome demonstrativo “a”.

c) Contração da preposição a com o “a” que inicia os demonstrativos aqueles, aquela, aquilo, aquelas.

Hoje vou abordar os casos em que ocorre crase, mas não estão dentro desse esquema básico. São as locuções que geram muitas dúvidas entre os estudantes. Muitos livros abordam somente as locuções com a crase obrigatória. Listaremos aqui quatro casos de locuções: A (com acendo indicativo de crase), B (sem crase) e C (crase facultativa). Neste último caso, a crase dependerá do segundo elemento após a locução.

A. Com acento indicativo de crase.

Exemplos:


    à direita                                     às claras à esquerda                                 às expensas à escolha                                   às margens de à evidência                                 às ordens à espera                                     às vezes à falta                                         chegar à conclusão à feição                                      dar à luz à força                                        estar à altura à frente                                       estar à espera à maneira                                    estar à disposição à medida                                     estar à vista à disposição                                estar à vontade à primeira vista                            exceção à regra à proporção                                faltar às aulas à raiz                                           de frente à à revelia                                       igual à que à risca                                          passar à frente à saída                                         saltar à vista à semelhança                                à vontade à vista                                           uma à outra  
    B. Sem crase 
    Nos seguintes exemplos não há crase e usa-se apenas a preposição  
    a. a bem de                                       a instância a curta distância                             a jusante a pouca distância                           a montante a meia distância                             de ponta a ponta a grande distância                          de segunda a sexta a duas mãos                                   folha a folha a duras penas                                 frente a  
    C. Crase facultativa
    Em muitas locuções a crase é facultativa, podendo-se usar apenas a preposição. Exemplos:

comparecer a/à reunião                    face a/à
com respeito a/à                              favorável a/à
contíguo a/à                                     junto a/à
contrário a/à                                    graças a/à
de encontro a/à                               no tocante a/à
dar vazão a/à                                  próximo a/à
dirigir-se a/à                                    rumo a/à
em frente a/à                                   semelhante a/à

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

10 dicas para entender a crase





Como vimos, a crase consiste na fusão de duas vogais idênticas. No caso da fusão da preposição a com o artigo definido a(s) ou com o pronome demonstrativo a(s) a crase é indicada por um acento grave (à). Emprega-se igualmente o acento grave quando o pronome demonstrativo a(s) pode ser substituído por aquela.



Sabendo a regra básica, listo aqui 10 dicas infalíveis para entender a crase. Vamos a elas:

1. A crase da preposição a com o artigo definido a(s) só ocorre diante de palavras femininas, visto que o artigo definido das palavras masculinas é o(s) e não a(s).
Constitui erro, portanto, usar acento grave na preposição a de locuções como a contento, a gosto, a esmo, a exemplo, a fogo, a frio, a fundo, a juízo de, a lápis, a modo de, a pé, a prazo. A única exceção consiste nas locuções em que está implícita e oculta uma palavra feminina, como moda, maneira. Ex.: vestido à Carlos Tufvesson.

2. Se houver dúvida devemos mentalmente substituir a palavra feminina por outra masculina; se a partícula "a" se alterar em ao, usa-se o acento grave indicativo de crase; se não se alterar, trata-se da preposição a, que deve permanecer sem acento; se for substituída por o(s) trata-se de artigo definido, que também não comporta acento.

3. Atenção! Há palavras que não admitem a anteposição do artigo, tais como verbo, advérbio, artigo indefinido (um, uma), pronome pessoal (ela, nós, vós), pronome demonstrativo (esta, essa), pronome relativo (quem, cuja), pronome indefinido (cada, alguma, alguém, toda, qualquer, ambas). Nestes casos, é óbvio que não há crase.

4. Diante de possessivos femininos usados em função adjetiva (minha, tua, sua, nossa vossa), o acento é facultativo.

5. Em locuções prepositivas, geralmente com o "de", (à custa de, à espera de,) e locuções conjuntivas, geralmente com o "que", (à proporção que, à medida que) precedendo nomes femininos, usa-se a crase.

6. Em locuções adverbiais diante de nomes femininos (à vontade, às vezes, à vista, à distância) usa-se igualmente a crase.

7. Usa-se crase diante de palavras femininas após os verbos regidos pela preposição a (assistir a, responder a).

8. No caso do pronome relativo qual, usa-se o acento sempre que o antecedente for do gênero feminino. Quando o pronome é interrogativo, no entanto, não há crase.

9. Usa-se crase antes de adjuntos adverbiais de tempo e diante da palavra horas (à tarde, à noite, às 10 horas).

10. Constitui erro a indicação de crase com o artigo no singular diante de um nome no plural. Ex.: Ele fez referência a bicicletas. E não "à". Não há artigo.

Veja também:

"Vale a pena" tem crase?








sexta-feira, 30 de julho de 2010

Não consigo entender a crase - aula 2


Já falamos em outro post sobre os conceitos iniciais sobre o a crase. Nós vimos que ela ocorre quando:

a) Contração da preposição a com o artigo feminino “a”.

b) Contração da preposição a com o pronome demonstrativo “a”.

c) Contração da preposição a com o “a” que inicia os demonstrativos aqueles, aquela, aquilo, aquelas.

Segunda a primeira premissa, a crase ocorre quando há artigo feminino e só há artigo feminino quando há uma palavra feminina (um substantivo feminino), como A mesa, A praia, A cidade, etc.

Agora quando a palavra feminina "pedir" o artigo, podemos dizer que termos uma crase. Mas como saber se a palavra feminina pede ou não, o artigo?

Essa regrinha tenho certeza que você já ouviu por aí. Basta reler a oração em que apareça regidos das preposições: "de", "em" e "por". Se tivermos meras preposições, o nome dispensa artigo.

Exemplo:

Vou a Copacabana.
Vou a Vitória.

Substituo o verbo ir (= vou) por: venho, passo, moro

Venho de Vitória.
Passo por Vitória.
Moro em Vitória.

Então:

Vou a Copacabana.
Vou a Vitória.

Atenção! O "a" é mera preposição e as palavras Copacabana e Vitória não pedem o artigo, por isso não se usa crase.

Porém, se houver necessidade de usar, respectivamente: da (= de + a); na(= em + a); pela (= por + a), a palavra feminina tem o artigo feminino definido "a", então haverá crase:

Ex.:Vou à Bahia
Venho da Bahia
Moro na Bahia
Passa pela Bahia.

Houve contração da preposição de + a = da, em + a = na, por + a = pela por isso "a" da Bahia é craseado.

Vou à Bahia.

Outra regra prática para sabermos se o substantivo exige ou não o artigo feminino definido "a" é substituir o vocábulo feminino por um masculino. E se aparecer a contração da preposição "a" com o artigo "o" = ao antes do nome masculino, haverá crase. Ex.:

Eu vou a cidade

Posso dizer:

Eu vou ao Município.

Logo, na oração:

Eu vou à cidade. O "a" da cidade deve ser craseado.

E se não pedir, como saber? Veja o exemplo:

Eu vou a Roma.

Eu venho de Roma.

Atenção! A palavra Roma não pede o artigo feminino, porém se eu disser:

Eu vou a Roma dos Césares. A palavra Roma, agora, está determinada. Pense assim: Não é qualquer Roma que vou, eu vou àquela Roma dos Césares, então, craseia-se o "a" de Roma. Esse é o exemplo clássico.

Eu vou à Roma dos Césares.

Outro exemplo:

Eu vou a Copacabana.
Eu vou à Copacabana de minha infância
Ele foi a Minas.
Ele foi à Minas de Tiradentes.

Dica! Há uma música para ninguém esquecer o uso da crase nesses casos:

Se vou a
E venho dá
Eu craseio o à

Exemplo:

Vou à festa
Venho da festa

Se eu vou a
E venho dê
Crasear o a
Para quê ?

Exemplo:

Vou a São Paulo.

Venho de São Paulo.

PARA MEMORIZAR:

Se venho "da" é "à" (com crase).

Se venho "de" é "a" (sem crase).

Vou à Grécia. Venho da Grécia.
Vou a Santa Catarina. Venho de Santa Catarina.

Ufa! Isso é só o começo. Acompanhe os próximos posts sobre a famosa crase.


sábado, 24 de julho de 2010

Não consigo entender a crase - aula 1


De dez alunos, nove tem dúvidas em relação à  crase (olha ela aí), que nada mais é que a "fusão" de dois fonemas vocálicos iguais (a + a). Na maioria dos casos - não em todos -, a crase ocorre com o encotro do artigo definido feminino (a) com a preposição (a). A crase é representada pelo acento grave = (à) = que se coloca sobre o "a". (= à).

Então, como os alunos adoram regrinhas, vamos a elas:

A CRASE SE DÁ EM:

a) Contração da preposição a com o artigo feminino "a".

b) Contração da preposição a com o pronome demonstrativo "a".

c) Contração da preposição a com o "a" que inicia os demonstrativos aqueles, aquela, aquilo, aquelas.

Mas veja, você não precisa decorar nada, basta entender o que é artigo e o que é preposição.

Exemplo:

Irei à praia - Irei àquela praia.

Irei a+ a praia - Irei a + aquela praia.

Antes de pensar naquela maravilhosa praia deserta com aquela pessoa especial, vamos examinar o verbo. O verbo ir pede a preposição "a" (porque quem vai, vai a algum lugar, certo?) e o substantivo "praia" pede o artigo feminino "a".

A + a = à

Irei à praia.


Esse exemplo, digamos, é o BÊABÁ em matéria de crase.  Mas entendendo esse primeiro passo, ficam fáceis os seguintes. Existem outros casos que explicarei com mais calma em outro post.

 VEJA A AULA 2 AQUI.

Exercícios:

1. "O pobre fica ___ meditar, ___ tarde, indiferente ___ que acontece ao seu redor".

a) à - a - aquilo
b) a - a - àquilo
c) a - à - àquilo
d) à - à - aquilo
e) à - à - àquilo


2. "O grupo obedece ___ comando de um pernambucano, radicado ___ tempos em São Paulo, e se exibe diariamente ___ hora do almoço".

a) o - à - a
b) ao - há - à
c) ao - a - a
d) o - há - a
e) o - a - a


3. "Nesta oportunidade, volto ___ referir-me ___ problemas já expostos ___ V. Sª ___ alguns dias".

a) à - àqueles - a - há
b) a - àqueles - a - há
c) a - aqueles - à - a
d) à - àqueles - a - a
e) a - aqueles - à - há



Gabarito:
1.C
2.B
3.B